Textos


A VOZ

 Navegar essa voz

apelo fundo

como gravura em pedra

que de pedra a alma se fizera.

 

O hálito da noite

como água,

me escorre das ausências.

 

Vem de longe a palavra que me cala.

A voz do ovento que lambeu teu rosto

lê a grafia inscrita em minha pele

e se encrava,

como cruz

na solidão.

 

a areia esvoaçada ds voragens

turva os olhos

repletos de distâncias.



Escrito por Gláucia Lemos às 11h55
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SONETO DE CONTRADIÇÃO

           SONETO DA CONTRADIÇÃO

                     Gláucia Lemos

Quero ser só. Mas não tão só como hoje,

que o telefone, no criado mudo

emudeceu. a cada vez mais mudo,

como alguém que, de ser, cansado, foge.

 

Não ter senhor nem rei, em quem se aloje

absurdo, algum direito de ser tudo

no meu destino. Até esse absurdo

poder de me invadir a dor que escorre

 

do meu ser só, em solidão buscada.

Direito que é meu. Ser tudo ou não ser nada,

viver, morrer, ficar, partir pra longe.

 

direito que em si mesmo se apresenta

contraditório, agora que argumenta:

quero ser só. Mas não tão só como hoje.

 



Escrito por Gláucia Lemos às 11h30
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DOMINGUEIRO

                DOMINGUEIRO

                         Gláucia Lemos

 Pinto corais azuis em um dorpo distante

quando banho meus olhos

espalhando as paisagens.

 

Esten tênue fio vinculando distâncias.

Pressentir anoitecer o verão de um rosto

enquanto, infiel, o ocaso vem ferir

com a ponta da saudade, as luzes dos meus risos.

 

Nas minhas mãos seguro a bênção do desejo,

inconfessado, eterno, em recolhido gesto,

para abri-las na oferta a um desejo denso.

 

O domingo se perde entre marés e brisas.

E em minnas mãos o rosto

em carne e tez tocado,

só milagre de saudade

em dia de domingo.



Escrito por Gláucia Lemos às 11h26
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O ABRAÇO

      O ABRAÇO

       Gláucia Lemos

Louvo

a réstia luminosa que ainda repousa

no corpo.

Em trono dessa luz

gravito iluminada

tangida do destino que me colhe

sem escolha.

 

Gravito

rota indefensável.



Escrito por Gláucia Lemos às 11h21
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ESCAMOTEIO

          Também esta, nas mesmas condições da anterior.

            ESCAMOTEIO - Eu brinco de te amar de madrugada,

                                 resguardo no meu colo os teus segredos

                                 e te amo o dia inteiro, às escondidas.

 

                                 Brinco de te esquecer, no fim da tarde

                                 quando se mata o dia no letárgio

                                 do infausto aguardo e do inacontecido.

 

                                 À noite brinco que és tu quem me guardas,

                                 sou a  rainha da cocada preta,

                                 sou nau onde navegas teus delírios.

 

                                 A mão direita sem saber da esquerda.

                                 Um olho crê e o outro olho inda duvida.

                                 Ah! eu só brinco pra aguentar viver.



Escrito por Gláucia Lemos às 12h44
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NASCEDOURO DO VERSO

    Este é um poema do livro que preparo devagar, escolhendo entre meus versos escritos há mais tempo, que vou trabalhando, para, TALVEZ, tentar publicação. gosto dele, por isso estou publicando.

     Tarda,

     e se faz longe e tarda.

     para cá do âmago do meu sacrário.

     E foge,

     palavra úmida de escondido soluço.

 

    Viesses como rebentação viria,

    grito de cataclismo,

    ou rio,

   a escandir, sobre a tela pautada,

   teu ritmo de dor.

   Viesses.

   Fogo em coivara a estalar

  ou frágil flama em lenho de fogueira.

  Viesses,

   casca  a se rasgar da amêndoa,

   inflamando

   ignota e vívida.

 

   E após tua voz no traço

   - sangue impresso -

   o silêncio vencendo a agonia do silêncio,

   fosse

   a perseguida paz.

 



Escrito por Gláucia Lemos às 12h32
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       Página de diário

        Estou desapontada, um hacker entrou no meu endereço e colocou um site muito inconveniente que aparece toda vez que tento entrar na internet pelo Internet explorer. Não sei o que fazer para me livrar disso e voltar a assessar a internet normalmente, para pegar os meus e-mails. Alguém pode me socorrer? Se puder, coloque uma mensagem no meu siite em Fale com a autora, no link E-mail, e me diga o que fazer. Obrigada, Gláucia.



Escrito por Gláucia Lemos às 21h31
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    Primeiro de janeiro

Traze-me rosas

pelo menos hoje,

traze-me rosas.

 

Nem as peço azuis,

Traze-me brancas

amarelas, rubras,cor-de-rosa, que rosas

já têm a cor das rosas.

 

Que sempre esqueces

de trazê-las m,inhas,

e vais deixando

todas noutras mãos

que encontras nos caminhos.

 

Que as vais perdendo assim

com tal descuido

que ao chegares a mim

as mãos estendes

e nelas só há espinhos.

 

Pelo menos hoje,

e nenhum dia mais,

traze-me rosas...

 

    Página de diário:

Hoje reencontrei um amigo que perdera há 47 anos. Não é curioso? Hoje ganhei um novo amigo que tinha perdido há 47 anos. Hoje conheci um antigo amigo  que tínhamos nos desencontrado há 47 anos. Não, não é curioso. Acontece que Não se conhece uma pessoa pelas suas palavras postas no papel. No papel a pessoa é alguém que ganha a personalidade que aparenta e nessa acreditamos. Escutá-la à viva voz,´porém, é conhecer a outra personalidade que esteve escondida a propósito ou não, ou apenas não conseguíramos ver naquela que estava nas palavras escritas. Por isso, a mesma pessoa pode ser tantas que , após 47 anos, podemos ganhar um novo amigo que tínhamos perdido, como podemos reencontrar um velho amigo do qual tínhamos nos desencontrado há 47 anos, ou conhecer um velho amigo que perdêramos há 47 anos. As esquinas da vida nos guardam  surpresas, mas é emocionante irmos ao encontro delas, porque, afinal, tudo isso é viver.

 



Escrito por Gláucia Lemos às 21h47
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COMPLETUDE e ILHA

                         COMPLETUDE
 
        Minha metade em ti segue viagens
        tua metade é a sombra em que me vejo.
        Lateja no meu colo em que te grafas
        uma saudade vasta.
 
        Tomar-te inteiro é o passo em que me ando
        dar-me toda é a fome em que te basto
 
 
 
                               ILHA
 
 
            Destino  de ser porto silencioso
            sondando tua quilha.
 
            E tu me és sempre barco
            em destino Distância
            nos rastos da espera
            arrastando meus olhos.
 
            Eu para sempre cais,
            no silêncio do porto
            guardado pra teu barco.


Escrito por Gláucia Lemos às 21h08
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Rápida notícia sobre Van Gogh

    Em 1882, Van Gogh conheceu Christien Hoornik, a quam chamou Sien, uma prostituta, alcoólatra, com um filho pela mão e um outro em gestação. O coração do artista enterneceu-se e pretendeu redimi-la. Contratou-a como modelo, e de modelo a amante foi menos que um passo. Seria finalmente a companheira, supunha. Aquela que lhe levaria o "amor fecundo", em que tantas vezes declarara acreditar. Casou-se com Sien, indiferente ao desprezo que essa decisão inspirava aos demais.A pretendida redenção, porém, não aconteceu. Sien retornou â antiga vida, e o sensível coração do artista voltou à antiga solidão. Sobre Sien, teria ele escrito ao irmão Théo: ...que é mais civilizado, delicado e viril, abandonar uma mulher ou apiedar-se de uma abandonada? (...)  Parece-me que qualquer homem que valha o couro dos seus sapatos, encontrando-se perante um caso semelhante teria agido  da mesma maneira. (...) Pensava muito em uma mulher pela qual o meu coração bateu, mas ela estava longe, não me queria ver, enquanto essa corria no inverno, doente, grávida e esfomoeada, e não pude agir de outra maneira. "  Tenho lido sobre a vida de muitos artistas e, não raras vezes, me posto a refletir,   sobre a estranha " fatalidade" que, frequentemente, tece um triste vínculo entre a dor e a arte. Reflexão inutil, bem sei, mas inevitável.



Escrito por Gláucia Lemos às 16h27
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DIREÇÃO

DIREÇÃO A febre que se esconde sem seu grito Nenhum bardo alcançou. Nenhum passo caleja a meu encontro, Nem palavra debruça no meu cio. Meu caminho é agora, lá na frente Ninguém respira. Há álamos sombrios. Eu sou caudal de rio intermitente. Cais não conheço, nem arrasto amores. Leva-me onde for, solta, a corrente. Meu leme é minha mão, meu lume, estrela, Meu destino é aqui, ali, alhures. Roteiro e direção não tenho escritos, Nem me comanda voz, nem prende o pulso. Vou aonde o olho pise, e o pé alcance.

Escrito por Gláucia Lemos às 22h41
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